"Vivemos um cenário em que a ausência de orientação financeira adequada expõe nossa juventude a armadilhas que comprometem o futuro. A popularização das plataformas de apostas, as chamadas bets ["apostas", em inglês], ameaça não apenas a estabilidade financeira, mas também a saúde mental de milhares de pessoas."
Com essas palavras, o Vereador Manoel Palomino (PSD) deu início à audiência pública, de sua autoria e realizada no dia 18 de setembro, a qual discutiu a importância da educação financeira nas escolas e os riscos das apostas on-line.
Para ampliar o conhecimento de todos sobre o tema, os participantes assistiram a uma palestra do mogimiriano Raony Bourscheidt Rossetti, especialista em mercado financeiro, com experiência nacional e internacional, e cofundador da Melver, empresa focada em tecnologia e educação financeira. Após a palestra, os presentes fizeram comentários e perguntas sobre o tema.
Compareceram ao encontro o Presidente da Câmara, Cristiano Gaioto (PDT), os Vereadores Marcos Franco (UB) e Wilians Mendes (PDT), os Secretários Cristina Puls (Assistência Social), Josélia Longatto (Educação) e Mauro Zeuri (Finanças), autoridades de segurança, entre outras pessoas.
A audiência foi transmitida ao vivo e a gravação está disponível neste link. Confira abaixo alguns pontos abordados no encontro.
Analfabetismo Financeiro e os Riscos das Apostas On-line
Inicialmente Raony Rossetti apresentou sua trajetória acadêmica e profissional, na XP Investimentos e na Melver, e contou que esse último empreendimento nasceu a partir de um desejo seu de transmitir seus conhecimentos sobre o mercado financeiro para outras pessoas. Além disso, Rossetti enfatizou que ao longo dos anos percebeu que no Brasil o índice de "analfabetismo financeiro" é bastante preocupante e que esse quadro foi agravado com o crescimento expressivo das apostas on-line nos últimos dois anos.
Com esse crescimento, uma série de pautas foram colocadas em discussão, entre elas a tributação dessas empresas, que funcionaria como uma "compensação". No entanto, Raony alertou, ilustrando com notícias recentes, que o valor arrecadado pela Receita é muito pequeno em comparação ao valor gasto pelos jogadores, e que essa conta também precisa considerar o impacto negativo dos jogos na saúde mental e no futuro (no planejamento financeiro) dessas pessoas e até do país.
"Enquanto o brasileiro perde praticamente 100% do que ele coloca nas apostas, a Receita recolhe de volta algum valor disso. Então mais do que pensar na arrecadação, [temos que pensar] e o resto do dinheiro que é perdido e poderia estar circulando na economia e no comércio, ou no bolso das pessoas?", propôs o especialista em mercado financeiro.
Em seguida, Rossetti comentou sobre como o marketing das casas de apostas – propagandas nos jogos de futebol e nos times populares, influenciadores, ícones do esporte, entre outras celebridades – busca popularizar o jogo; e como o algoritmo é configurado para tentar manter a pessoa jogando. Rossetti advertiu que esse mecanismo pode ocasionar sérios prejuízos à pessoa, podendo levá-la a um endividamento precoce, ou a recorrer a empréstimos com agiotas ou mesmo a crimes para conseguir dinheiro para jogar.
Para o especialista, a educação financeira é de suma importância para enfrentar esse cenário e para ensinar procedimentos que as pessoas podem precisar no dia a dia (desde distinguir compras essenciais de outras supérfluas, a como financiar um imóvel, um veículo ou um negócio próprio). Nesse sentido, esses conhecimentos estimulariam um planejamento e um uso consciente do dinheiro, algo que pode impactar positivamente tanto a vida de indivíduos quanto da sociedade de forma geral. Ele explicou que se parte dos jovens deixarem de fazer faculdade, porque comprometeram o dinheiro com jogos – exemplo presente no noticiário –, isso futuramente pode se refletir numa menor formação de mão de obra qualificada no país.
Além disso, nessa campanha pelo fim do analfabetismo financeiro, ele disse que um dos primeiros passos é engajar os professores, para que esses vejam como é possível aplicar a educação financeira em suas vidas, e a partir daí possam transmitir isso aos alunos, os quais como multiplicadores poderiam levar esse conhecimento para suas famílias.
Assista à audiência na íntegra, clicando aqui.
