A violência em ambiente digital contra crianças e adolescentes foi tema de uma audiência pública, realizada no dia nove de setembro. O evento teve a autoria dos Vereadores Daniella Campos (PP) – idealizadora –, Manoel Palomino (PSD), Wilians Mendes (PDT) e do Presidente Cristiano Gaioto (PDT).

No encontro, que foi transmitido ao vivo (assista, clicando aqui), os participantes assistiram a uma palestra (transmitida remotamente) da jornalista Carla Albuquerque, especialista em crimes digitais, segurança pública e proteção infantil online, e posteriormente fizeram comentários e perguntas. 

Como introdução, a Vereadora Daniella Campos (PP) disse que na nossa época a tecnologia digital se faz muito presente e as crianças e adolescentes crescem conectados, utilizando a internet e as redes sociais como meio de aprendizado, socialização e entretenimento. No entanto, alertou, junto às oportunidades também surgem os riscos, como a violência digital, que muitas vezes acontecem de forma silenciosa dentro de casa, sem os pais saberem.

Campos disse ainda ser de muita importância tratarmos da exposição a conteúdos impróprios, como a exploração sexual online, estupros virtuais, vazamento de dados, entre outros problemas e crimes para promover um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva de soluções para enfrentá-los e preveni-los. 

Em seguida, o Vereador Wilians Mendes destacou o crescimento da pauta nos últimos dias com a participação de influenciadores digitais divulgando o assunto e outros influenciadores sendo presos. "É um assunto que a gente tem que discutir mais vezes, pois o crime digital pode acontecer dentro das nossas casas sem sabermos", enfatizou Wilians Mendes.

Em sua palestra, a jornalista Carla Albuquerque frisou a gravidade do tema e o fato de as famílias estarem despreparadas para lidar com os casos.

Albuquerque explicou como sua equipe atuou para entender as dinâmicas desses crimes, os quais envolvem entre outros pontos a utilização de bots (robôs digitais), mecanismos para apagar as mensagens e a utilização de fotos e dados como meios de dominação e chantagem.

De acordo com a jornalista, o contexto da violência digital abrange desde racismo, misoginia, homofobia, agressores se apresentando como neonazistas e supremacistas brancos, até maus-tratos a animais, venda de drogas nas plataformas, violência sexual, indução ao suicídio, incitação ou planejamento de ataques a escolas etc.

No trabalho investigativo sobre casos de violência sexual, a equipe conseguiu identificar um padrão de cooptação das vítimas, o qual é semelhante ao ciclo de violência doméstica, em que o agressor inicialmente não se aproxima de forma truculenta, mas sim de forma sedutora. A partir desse relacionamento (por exemplo, um "webnamoro"), explicou Carla Albuquerque, o agressor vai ganhando a confiança da vítima, até esta passar suas senhas e logins para ele. Depois desse momento, o relacionamento se transforma em agressões, exposição e violência sexual.  

Segundo Albuquerque, as vítimas muitas vezes tinham dificuldade em conversar com os pais sobre namoros e encontravam em plataformas de "webnamoro" formas de se relacionar. "Veja aí o grande problema de não conversar com os filhos ou de simplesmente proibir sem explicar a proibição", alertou a especialista, acrescentando que esses filhos e filhas vão encontrar um meio e sendo muito jovens não conseguirão se defender adequadamente.

Além disso, Carla Albuquerque disse que seu trabalho e a atuação das autoridades do poder público já conseguiram salvar mais de 600 vítimas no Brasil. 

Assista à íntegra da audiência para mais informações.

Além dos vereadores autores, estiveram presentes o Vereador Wagner Pereira (PL), as Secretárias Josélia Longatto (Educação), Cristina Puls (Assistência Social), o gerente da Segurança Pública, Marcelo Massini, a GCM Elaine Navarro, o GCM Néri, o 1º Sargento da Polícia Militar, Montoni, o jornalista Flávio Magalhães, entre outras pessoas.   

 

 



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